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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28420: As nossas geografias emocionais (69): Cameconde, ontem e hoje - Parte I



Foto nº 1A e 1 > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > CART 6552/72 (1973/74)  >  Vista aérea parcial do aquartelamento,  com as suas valas e trincheiras. Foto, a sépia, de Manuel Domingos Ribeiro


Foto nº 2 > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > CART 6552/72 (1973/74)  >  Vista aérea parcial. Foto, a sépia, de Manuel Domingos Ribeiro. Vê-se que o  espaço foi alargado e melhoradas instalações, em relaçáo à situação em 1968.  No entanto, em em meados de 1973 "não tinha capacidade para albergar uma companhia inteira".

Fotos (e legendas): © Manuel Domingos Ribeiro  (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]


Foto nº 3



Foto nº 4A e 4





 Foto nº  5C, 5B, 5A e 4

Guiné > Região de Tombali > Setor de Cacine (S3) > Cameconde > 1968 > Três aspetos gerais do destacamento > Fotos, a preto e branco, e fraca resolução,  do álbum do nosso camarada António José Pereira da Costa, que era na altura alferes QP da CART 1692/BART 1914 (Cacine, Cameconde, Sangonhá e Cacoca, 1967/69) e mais tarde cap e cmdt das CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, e CART 3567, Mansabá, 1972/74).  As imagens foram restauradas e colorizadas digitalmente com recurso à IA.

Na Foto nº 5C, assinalado com um círculo a amarelo há um obus 10.5 cm,do 1º Pel Art.  Na  Foto nº 3. no original, a bandeira portuguesa não estava hasteada...

Fotos (e legenda): © António J. Pereira da Costa (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]



Foto nº 6, 6A




Foto nº 7B, 7A. 7

Guiné-Bissau  > Região de Tombali > Cameconde > de março de 1968 >  "Restos arqeuológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné  + IA (Gemini / Google( (ChatGPT / Opena AI) ].


Guiné > Região de Tombali > Carta de Cacoca (1960) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Cameconde, Cacoca e Sangonhá, nas proximidades da fronteira com a Guiné-Conacri, tendo a norte Gadamael e Ganturé. Cacine ficava a noroeste de Cameconde, a escassa meia dúzia  de quilómetros Cacine (vd. carta de Cacine). Nesta linha de fronteira, Cacine, Cameconde e Gadamael aguentaram até ao fim (25 de Abril de 1974). Cacoca, Sangonhá, Guileje, Mejo,  Gandembel, Balana, foram posições  abandonadas pela NT.

Cameconde era a guarnição militar portuguesa mais a sul, na região de Quitafine, na estrada fronteiriça Quebo-Cacine... Em 1968 era o batalhão que estava em Buba (BART 1896, 1966/68) quem defendia esta importante linha de fronteira...


Guiné > Carta geral da província (1961) > Escala 1/ 500 mil   >  Posição relativa de Cacine, Cameconde, Cacoca, Sangonhá, Gadamael, Ganturé (e mais acima Guileje, Gandembel e Balana)

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1.  Sobre Camemonde temos mais de 60 referências no blogue. É uma das muitas estações do nosso calvário na Guiné. Desde o princípio da guerra, foi sempre um osso muito duro de roer. Diversos camaradas nossos (aqui representados na Tabanca Grande) lá estiveram e por lá passaram  (e por lá penaram...).

 Estive a organizar uma lista dos "camedondenses" mas  desapareceu, num daqueles "truques de magia" que, desgraçadamente, acontecem,  de vez em quando, aos pobres dos editores (e também aos leitores, que nos comentam...): basta, às vezes, tocar  na tecla errada... e é a morte do artista (irrecuperável,  irremediável, irreversível).

Um gajo fica "piurso"... Mas não adianta partir o computador... O material tem sempre razão, aprendemos na tropa. Por isso, siga a Marinha... 

O nosso último grão-tabanqueiro, o Fernando Villalôbos Filipe,  (foto acima) foi um deles, um dos "camedondenses". E, por sinal, comandou a CART 6552/72 a quem coube a entrega (pacífica e planeada) das fracas instalações aos novos "senhores da  guerra"... Em 19 de julho de 1974. No mesmo dia que Gadamael.

 

2. O José Vermelho, nosso grã-tabanaqueiro nº 471, ex-fur mil, CCAÇ 3520, Cacine,  e CCAÇ 6,  Bedanda, CIM Bolama (1972/74), descreveu Cameconde nestes termos realistas

(...) Cameconde era um destacamento de Cacine, distando 6/7 Kms entre si. Tinha uma forma mais ou menos rectangular, talvez aí de uns 50 por 70 mts., encravado no meio da mata, completamente isolado, sem qualquer população civil.

Era o destacamento das N/T situado mais a sul da Guiné. Tinha em permanência 1 Pelotão de Artilharia + 1 Grupo de Combate de Cacine, sendo este substituído mensalmente por outro, em regime rotativo.

Era feita uma coluna diária Cacine - Cameconde (com picagem) e volta. Nos primeiros meses de 1972, também fui um dos "turistas voluntários à força", convidado a visitar Cacoca... isto é... o pouco ou nada que restava dela! (...)

Quase meio século depois, o Patrício Ribeiro tirou umas chapas aos "restos arqueológicos" da presença dos tugas:


3. O Juvenal  Candeias (ex-alf mil, CCAÇ 3520,  Estrelas do Sul, Cacine e Cameconde e Guileje, 1971/74] ajudou-nos a melhor fazer o enquadramento de Cameconde na península de Quitáfine: 

(...) A região do Quitáfine, a Sul de Cacine, era considerada o santuário do PAIGC, que aí estava fortemente instalado e provido de dispositivos de segurança, que tornavam os nossos movimentos impossíveis, salvo com utilização de meios excepcionais. 

Trilhos minados e sentinelas avançadas, permitiam-lhes uma tranquilidade apenas quebrada pelos obuses de 14 cm, disparados do nosso destacamento de Cameconde!

Os efectivos de que dispunham com um grupo especial de 20 lança-granadas, responsável pelas constantes flagelações a Cameconde, apoiado por um bigrupo disperso pela zona de Cassacá e Banir (onde se supunha estar o comando), eram reforçados por uma vasta população armada em autodefesa, distribuída, entre outras, pelas tabancas de Ponta Nova, Bijine, Dameol, Cassacá, Banir, Campo, Cassebexe e Caboxanque.

O PAIGC furtava-se sistematicamente ao contacto, optando por uma estratégia defensiva de protecção às populações que controlava, privilegiando as flagelações e a colocação de engenhos explosivos! Quem circulava a Sul de Cambaque (que distava cerca de 3 km de Cameconde) tinha como certo algumas surpresas no trilho! Provavelmente um campo de minas e a seguir (algum humor-negro), munições de Kalash espetadas no chão formando a palavra PAIGC!

O Quitáfine permitia ainda, ao PAIGC, um reabastecimento regular e seguro, processado a partir da República da Guiné, através de vários rios, em especial o Caraxe e o Camexibó! Ao dispositivo militar juntava-se uma mata densa intransponível!

Os paraquedistas, após uma operação no Quitáfine, só à noite conseguiram chegar a Cameconde, com grande dificuldade e orientados pelo clarão da queima de cargas de obus, em cima dos abrigos!  O grupo de Marcelino da Mata, largado de helicóptero, fez um golpe de mão a Cabonepo, a base do PAIGC mais a Norte do Quitáfine, onde estaria instalado um posto transmissor. Quando chegou, após lenta progressão através da mata… não havia lá nada… a base tinha sido abandonada momentos antes!

O Quitáfine era, efectivamente, o santuário do PAIGC, desde o início da guerra! Foi ali que se realizou, na tabanca de Cassacá – a 15 Km de Cacine e a 8 Km de Cameconde -, em meados de fevereiro de 1964, o 1º Congresso do PAIGC, com a presença de Amílcar Cabral, Luís Cabral, Aristides Pereira e outras individualidades do Partido!

A CCaç 3520 tinha chegado ao porto de Cacine, a bordo da LDG Montante, em 24 de Janeiro de 1972, para render a CCaç 2726 – companhia açoriana comandada pelo Capitão Magalhães -, o homem que retorcia as pontas do bigode com cera e a quem o tabaco nunca faltava! Dizia-se mesmo, à boca pequena, que, quando o tabaco acabava em Cacine, o PAIGC deixava, no mato, uns macitos para o Capitão! Rumor ou realidade… ninguém sabe! Ficou por provar!

Decorria ainda o período de sobreposição, que se prolongou até 22 de fevereiro, quando foram recebidas instruções de Bissau, para ser preparada uma operação ao Quitáfine – Cabonepo e… Cassacá! (...)


4. Quase meio século depois, o Patrício Ribeiro  tirou umas chapas aos "restos arqueológicos" da presença dos tugas:

(...) Cameconde > Algumas fotos da fortaleza (quartel) que lá construíram, para os que lá dormiram dentro, recordar 

Ainda hoje são impressionantes, as construções. (...)

A estrada que liga Cameconde, Cassacá, até Campeane, está em bom estado, ainda encontramos muita floresta frondosa, muito verdejante, esta zona é muito bonita. Onde se produz muita fruta; cola, laranja, ananás, banana, etc. Mas a plantação de caju, já está a chegar, para deitar a floresta abaixo.

A estrada passou a ser uma rua, com muitas casas durante alguns quilómetros muita população. Como está perto da fronteira, muitos vieram do outro lado (...)

___________________

Nota do editor LG:

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28153: A nossa guerra em números (50): o custo de uma chamada telefónica, de 3 minutos, em 1969, para a Metrópole, podia ir de 100 a 130 escudos (37 a 48 euros, a preços de hoje)

Teresa Reis
em 1972
1. Nunca soube quanto custava, em escudos, uma chamada telefónica, feita no posto dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) de Bambadinca, zona leste, região de Bafatá, em 1969, para a minha terra Lourinhã, a 70 km, a norte de Lisb
oa... 

Nunca fiz nenhuma chamada em quase 2 anos que estive na Guiné. Falando com o Humberto Reis, há dois dias atrás (no Hospital de Santa Maria, onde está internado em recuperação de uma cirurgia cardiotorácica) disse-me que chegou a telefonar, mais do que uma vez, para Lisboa, para os pais e para então namorada, e depois sua mulher, a nossa querida Teresa Reis (1947-2011).  Em Lisboa, já se costumava  ter telefone fixo em casa. Mas na província ainda era um luxo, por exemplo, para Albergaria dos Doze, concelho de Pombal, onde os pais tinham casa de fim-de-semana, não havia telefone fixo. Usava-se o do café ao lado...

O Humberto não se lembra do tarifário. Nas pesquisas na NET, também não é fácil encontrar tabelas tarifárias completas dos CTT para o serviço telefónico ultramarino nessa altura (em que estávamos os em Bambadinca, 1969/71). Mas podemos fazer uma estimativa bastante credível (*).

Naquela época, uma chamada entre a Guiné e Portugal fazia-se pela rede de radiotelefonia de alta frequência (HF), através da estação de Bissau, sendo depois encaminhada  para a rede telefónica nacional. 

Não existia marcação automática; a chamada era pedida à telefonista, muitas vezes com um dia de antecedência, sobretudo em postos do interior como Bambadinca. E mesmo em Bissau.

O custo era elevado. Namorar pelo telefone, nem pensar. As tarifas dos CTT da segunda metade dos anos 60 apontam para valores da ordem de cerca de 80 a 120 escudos por 3 minutos, conforme a hora e o circuito disponível,   cada período adicional de 3 minutos sendo cobrado separadamente. 

Para termos uma ideia do que isso representava, basta lembrar que uma praça ganhava em média entre 900 escudos (soldado) e 1300 escudos (1º cabo).

Assim, uma única chamada de três minutos podia representar entre um décimo e um sétimo do vencimento mensal de uma praça. 100 escudos em 1969 representariam, a preços de hoje, a 37 euros.

Era um verdadeiro luxo. Na melhor das hipóteses, só um em cada très de nós terá telefonado pelo menos uma vez para casa (**).

Além do preço, havia outro problema: a morosidade e a incerteza. A chamada podia ser marcada para determinada hora e só ser estabelecida muito mais tarde ou nem chegar a completar-se por falta de circuitos ou más condições de propagação rádio.  Muitas vezes, quando finalmente a telefonista chamava, era preciso correr para o posto dos CTT porque a ligação não esperava (***). Em Bissau chegava-se a dormir nas instalações (!).

No caso específico de Bambadinca, em 1969, o procedimento seria igual ao de outros postos dos CTT no interior da província: (i) o Humberto dirigia-se ao posto dos CTT;  (ii) preenchia um impresso pedindo a ligação para o número dos pais ou da namorada, no bairro da  Encarnacão, Lisboa, ou para o café  vizinho dos pais, em Albergaria dos Dozea;  (iii) a telefonista de Bambadinca (a dona Leontina)  transmitia o pedido para Bissau; (iv) Bissau tentava obter um circuito para Lisboa; (v) Lisboa estabelecia a ligação com o posto dos correios de Pombal (e depois Albergaria dos Doze); e (vii) finalmente, chamava o assinante (!)... 

Tudo isto podia demorar horas ou, frequentemente, até ao dia seguinte.

Tal como eu, muitos militares na Guiné nunca telefonaram para casa. As cartas e os aerogramas eram muito mais baratos. Eram o principal elo com a família (e amigos). O SPM funcionava bem. A chamada telefónica ficava reservada para casos muito especiais: uma doença grave, um nascimento, um aniversário, uma morte ou outra urgência familiar (de resto, havia, em alternativa, o telegrama, para um SOS como um pedido de dinheiro).

2. Tudo indica que era absolutamente proibitivo para a maior parte dos militares no CTIG (e em especial para as praças  (soldados e cabos ) fazer uma chamada telefónica para a Metrópole, via CTT...

Escreveu o Arménio Estorninho em comentário ao poste P14937:...

(...) "No Posto Administrativo de Empada, havia um Balcão dos CTT no qual por várias vezes telefonei para os meus familiares e pela módica quantia de 100$00 (pesos) por período de 3 minutos.

A chamada tinha que ser marcada (dia e hora) com aviso ao receptor e confirmada a quem solicitava.

Obs: Por intermédio do balcão do Posto Administrativo de Empada (via telefone), foi solicitado à Rádio PFA - Programa das Forças Armadas  para a passagem de um 'disco pedido'  e como foi dito que era do interior passaram-no de imediato (coisa rara).(...)"
 

27 de julho de 2015 às 16:16:00 WEST


3. Pode perguntar-se  qual era então a utilidade (social, económica, administrativa, política...) dos postos dos CTT na Guiné ? ... Qual era a tabela tarifária em vigor ? Qual o seu movimento diário ? Quais seriam as suas receitas e despesas ? Quem tutelava os CTT ?  

É no tempo do ministro das colónias e depois do Ultramar, Sarmento Rodrigues (nomeado em 1950, depois de servir na Guiné como governador e "deixar saudades", entre 1945 e 1949) que se começa a modernizar a rede de telecomunicações. 

Pelo Arménio Estorninho (ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, CCAÇ 2381, Ingoré, Aldeia Formosa, Buba e Empada, 1968/70), ficamos a saber que Empada, que era posto administrativo (, sendo a sede da circunscrição em Tite, região de Quínara)  e tinha balcão dos CTT... E que se pagava 100 pesos por uma chamada de 3 minutos para a metrópole... 

"Módica" quantia é que não era... Era o preço de uma garrafa de uísque velho, ou o equivalente a 4 refeições em Bafatá, no restaurante A Transmontona (bebidas incluídas).

Tite passou a sede de circunscusncrião, em lugar de Fulacunda que perdeu importância com a guerra, e ficou isolada. Hoje é Buba a capital da região de Quínara. Buba também devia ter balão dos CTT tal como Tite.
 
O cor art ref António J. Pereira da Costa também confirma que o serviço era caro:

(...) Usei os serviços dos CTT a partir do telefone do chefe de posto (administrador(?) de Mansabá.

Era caro, mas consegui falar para casa e perguntar à minha mulher se queria lá ir ter comigo. Ela foi e esteve lá durante cinco meses. Apareceram também as mulheres de dois furriéis milicianos até o cor pqdt  Durão me ter ordenado que fizesse uma proposta para que fosse autorizada a presença de mulheres metropolitanas em Mansabá. Obviamente a proposta foi chumbada e elas foram regressando a casa, excepto a Júlia que ficou em Bissau com resultados trágicos.

O telefone ouvia-se pessimamente mal devido ao "aquecimento" das antenas, mas falava-se e isso já era bom. (...)
 
segunda-feira, 20 de julho de 2015 às 21:52:00 WEST 

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)
________________


 
(***) Vd. poste de 8 de julho de 2015 > Guiné 63/74 - P14938: (Ex)citações (287): Certa vez fui a Teixeira Pinto, e na estação dos CTT marquei dia e hora para telefonar para casa... A família reuniu-se em peso, reunida, ansiosa, à espera do telefonema... Mas eu não consegui lá voltar nesse dia e hora...A família ficou em pânico, como seria de imaginar (Leão Varela, ex-alf mil, CCAÇ 1566, Jabadá, Pelundo,Fulacunda e S. João, 1966/68)

sábado, 18 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27929: Humor de caserna (257): O anedotário da Spinolândia - Parte XXix Ainda a origem das alcunhas "Caco Baldé" (grafada pelos fulas...) e "Aponta, Bruno" (fixada pelos "tugas") (António J. Pereira da Costa / Cherno Baldé)

1. "Aponta, Bruno!"... era outra das alcunhas do general Spínola, na Guiné Portuguesa, no tempo em que foi governador e comandante-chefe (1968/73) (*)... Embora fosse mais conhecido, dentro e fora da  caserna, por  "Caco Baldé" ou simplesmente "Caco". (Os oficiais do QP  chamavam-lhe o "Velho", o seu nome de guerra era o "Bispo").

Bruno foi o seu primeiro ajudante de campo, o capitão de cavalaria 'comando' João Almeida Bruno (1935-2022) (morreu como general reformado).

António Spínola (1910-1996) quando foi para a Guiné em meados de 1968, escolheu a dedo os elementos da sua equipa, diz o seu biógrafo, o historiador Luís Nuno Rodrigues ("Spínola: biografia", Lisboa:  A Esfera dos livros, 2010, 
 pág. 106).

Uns vieram de unidades e subunidades de cavalaria com provas dadas em Angola: 

  • como Almeida Bruno (que foi cap cav, of inf op / adj, BCAV 745 , Angola, jan 1965/ fev 1967); 
  • ou  como Henrique Bernardino Godinho (cap cav, of op / inf ( adj), e Rui Mamede Monteiro Pereira (cap cav, cmdt da CCAV 295) oficiais que pertenceram ao célebre BCAV 345, que o Spínola comandou em Angola, como tenente-coronel e depois coronel, entre dezembro de 1961 e fevereiro de 1964.

Além de pertencerem à arma de cavalaria, outro critério era terem sido alunos do Colégio Militar, como ele (que foi o nº 33, no período de 1920 a 1928).

Independentemente da arma de origem e/ou da passagem pelo Colégio Militar, pesava muito a  "competência técnico-militar", que ele reconheceu em militares como Firmino Miguel, Belchior Vieira, Lemos Pires, Pereira da Costa, Ramalho Eanes, Otelo Saraiva de Carvalho, Carlos Fabião.

A alcunha "Aponta, Bruno!”, associada ao António de Spínola, faz parte da Spinolândia, aquele universo meio mítico, meio pícaro, de humor caserna, que se criou à volta da sua figura (e da sua "entourage") durante a guerra colonial na Guiné,  e mais exatamente no período em que foi governador e comandante-chefe (maio de 1968 / agosto de 1973).

A expressão ficou célebre porque, segundo relatos de militares da época, Spínola tinha o hábito de mandar , ao seu ajudante de campo, o capitão Bruno, “apontar” (registar, tomar nota, ou até preparar algo com rapidez), muitas vezes em tom perentório. 

A frase acabou por se transformar em refrão ou bordão de caserna.

Quanto às anedotas, elas circulam sobretudo na tradição oral e variam bastante, mas seguem quase sempre o mesmo padrão: brincar com a autoridade do general e a prontidão do Bruno.

A expressão nasce, pois,  da presença constante, quase obsessiva,  do seu primeiro ajudante de campo (1968/69), o então capitão de cavalaria 'comando' João Almeida Bruno:  andava sempre próximo dele, quase como uma extensão operacional.

Os outros dois ajudantes de campo, que sucederam ao Almeida Bruno,  também eram de cavalaria:

  • Cap cav Lourenço Fernandes Tomás (1969/72) ;
  • Cap Cav Carlos Domingos de Oliveira Ayala Botto (1972/73) (nosso grão-tabanqueiro).

2. A imagem que ficou (muito alimentada pelo humor de caserna e pelas memórias de antigos combantentes, além da documentação fotográfica) era a de um Spínola teatral, de monóculo, pingalim, luvas e postura aristocrática, de “cavaleiro”, sempre impecável no seu uniforme, e que apontava alvos, reais ou figurados, com determinação e dramatismo. O Almeida Bruno não lhe ficava atrás na pose.


(i) A anedota típica (em várias versões): circulavam versões diferentes, mas o núcleo era mais ou menos este:

Spínola, em visita a uma posição no mato, observa o horizonte com o monóculo e diz, com ar solene:

— Inimigo à vista!...

Pausa teatral.

— Aponta, Bruno!

O Bruno, sempre pronto, apontava…

E alguém murmurava atrás, meio a sério, meio na galhofa:

— Já está apontado, meu general… agora só falta aparecer o inimigo…


(ii) Ou noutra variante mais mordaz:


— Aponta, Bruno!

— P'ra onde, meu general?

— P'ra qualquer lado, homem! O importante é manter a iniciativa!


(iii) A solução para tudo

Entre soldados, qualquer problema,  desde a merda da comida até à falta de material, era resolvido com a frase milagrosa:

— Não te preocupes, caga nisso… aponta, Bruno!

Ou seja, tornou-se também sinónimo de “deixa andar” ou “alguém há de tratar disso”.


(iv)  A pontaria na carreira de tiro:

Noutra versão mais caricatural, durante a IAO ou na carreira de tiro, se alguém falhava um alvo, um outro gritava:

— Ó pá, isso não é nada!... Aponta, Bruno!

Como se o Bruno resolvesse até as falhas da pontaria dos "tugas".


(v) O apontar… tudo!

Dizia-se que o Bruno levava a ordem tão à letra que, se o general comentasse algo banal tipo “uff!, que calor”, ele pegava logo no famoso  bloco 
“Aponta, Bruno!”...  e lá ficava registado o desafo do comandante-chefe como se fosse uma ordem operacional. 

A piada acabou por evoluir para qualquer coisa como : “Põe-te a pau com o que dizes perto deles, as tuas bocas ainda vão parar ao QG.”


(vi) O milagre  impossível

Numa versão mais absurda, Spínola teria pedido algo completamente irrealista (tipo ter determinado material de engenharia  “para amanhã de manhã” ).

Resposta típica da tropa:

— Não há problema… aponta, Bruno, que há de aparecer, a tempo e horas!”

Era uma forma de gozar com  ordens impossíveis ou absurdas "vindas de cima".


(vii) A cunha:

Entre oficiais mais novos (onde Spínola, de resto, era popular), dizia-se:

— Queres subir na carreira? Não te chateies, não estudes… Aponta, Bruno!

Ou seja, bastava estar perto de quem mandava e cair nas suas boas graças, e ir dizendo ámen (isto é, “sim, meu general”).


(viii) A versão mais atrevida, pícara, brejeira  se não mesmo pornográfica:

Em linguagem de calão, quando alguém se gabava demais,  dava ordens sem sentido ou "se armava em carapau de corrida" (sic), corria o risco de  ouvir:

— Olha,  este!… Pensa que é o Aponta, Bruno, mas vê lá para onde é que apontas! — e virava o traseiro.

Aqui o humor já descambava para o duplo sentido, como era comum na caserna.


(x)  Omnipotência:

Havia ainda a ideia de que o Bruno resolvia tudo:

—  Falta cerveja ?!

— Aponta, Bruno!

— Faltam granadas de obus ?!

— Aponta, Bruno!

— Não há gajas?!

— Aponta, Bruno!

— Porra, nunca mais chega a peluda ?!

— Eh,  pá… essa já nem o Bruno aponta!


3. O que está por trás da graça ?

A piada joga com três traços atribuídos , mal ou bem, a Spínola:

  • encenação e estilo pessoal: ele cultivava uma imagem muito forte, quase cinematográfica (embora, curiosamente, não costumasse andar com fotógrafos atrás, até por que o heli AL III tinha limitações de espaço);
  • comando muito próximo da frente: visitava posições das NT, aparecia de helicóptero quando menos se esperava,  marcava presença no mato junto dos seus soldados;
  • dependência funcional e simbólica do ajudante de campo:  o “Bruno” transformou-se numa personagem, quase como um escudeiro, um verdadeiro "cromo" (secretário, que tomava notas, mas também era guarda-costas, andando sempre armado).

Este tipo de piadas funcionava quase sempre4 como uma válvula de escape. Num contexto duro como a guerra da Guiné, brincar com figuras de autoridade, mesmo que de forma exagerada, caricatural  ou irreverente, ajudava a aliviar a tensão ou de sublimar a revolta.


António de Spínola, governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, à direita, durante o discurso de um líder guineense, à esquerda (c. 1968/69).  Spínola promoveu o diálogo sob o lema: «Por uma Guiné melhor». O deputado ou futuro deputado James Pinto Bull (1913-1970) é visível, em segundo plano, entre o lider guineense que discurs e o Spínola. Possivelmente a foto, de autor desconhecida, foi tirada durante a campanha para as elieções legislativas (para a Assembelia Nacional) de 26 de outubro de 1969. Pinto Bull era o único candidato para o círculo eleitoral da Guiné, proposto pela União Nacional.

Fonte: Adapt de Museu da Presidência da República (com a devida vénia...)


4. Origem da alcunha "Caco Baldé”


A outra alcunha,"Caco" ou  "Caco Baldé, é diferente, mas a sua origem é mais controversa: mas, dizem,  viria  sobretudo do contacto com o meio guineense (os "guinéus") e da forma como os africanos reinterpretavam nomes e figuras portuguesas, muitas vezes com humor muito próprio. Caco seria o monóculo; Baldé, um apelido fula vulgar (como o nosso Silva)... 

Ficamos sem saber se a alcunha lhe foi dada pelos "guinéus", se pelos "tugas". O "Aponta, Bruno" é claramente castrense... Já o "Caco Baldé" teria sido uma expressão grafada pelos fulas, segundo a intuição do Cherno Baldé,

Também aí há histórias, mas são mais difusas e menos padronizadas do que o “Aponta, Bruno!”


António J. Pereira da Costa: 
nosso grão-tabanqueiro desde 12/12/2007, coronel art ref 

 (i) ex-alf art, CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69; (ii) ex-cap art, cmdt da Btr AAA 3434, Bissau;  (iii) cmdr CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo;  (iv) cmdt CART 3567, Mansabá, 1972/74.








4.1. O António J. Pereira da Costa fez uma leitura interessante sobre esta alcunha, mais recorrente e popular, o "Caco Baldé" (**)

(...) O Caco Baldé acaba por ser um nome carinhoso para materializar a popularidade o prestígio de um chefe. 

Sabemos bem que essa alcunha casa o monóculo (Caco) com um apelido frequente na Guiné (um espécie de Silva ou Oliveira) e nada mais. 

Creio que ele realizou uma aprendizagem e aproximação lúcida à vida do seu tempo. O seu modo de pensar terá evoluído desde o BCAV 345, em Angola (1961/64)  até à Guiné 73 que só poderia desembocar no 25Abril74.

Tenho para mim que era um dos melhores generais dos exércitos europeus. Ele tinha mais de 30.000 homens sob o seu comando e mais de meio milhão de civis à sua responsabilidade. 

Se tomarmos como referência os países da NATO não vejo nenhum que tivesse algo para lhe ensinar, na prática (bem entendido). Exceptuando os americanos que, riquíssimos em meios, perdiam a guerra do Vietname e os franceses que também não ganharam a da Argélia, todos andavam a "brincar aos soldados" em cenários hipotéticos em que o "insidioso, ardiloso e mauzinho In" vinha de Leste a correr pela Europa fora com uma foice numa mão, um martelo na outra e uma estrelinha no alto da cabeça.

Enquanto que ele tinha operações todos os dias (de todos os tipos e formas); logística (má e insuficiente) todos os dias; gestão de pessoal (insuficiente) todos os dias e todo o resto... e era tudo par ter efeitos ontem, porque amanhã já era outro dia com novos problemas. 

Depois veio o período mais conturbado que nenhum dos estrangeiros atravessou, mesmo os que poderiam ter tido intervenção na condução da política dos seus países. Andou mal. Poderia ter andado melhor. Talvez, mas os homens que não fazem asneiras normalmente também não fazem mais nada.

Um Ab.
António J. P. Costa


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 às 18:14:00 WET


4.2. Não menos original  (e seguramente mais surpreendente e etnocêntrica)  é a leitura que faz o nosso amigo Cherno Baldé [foto à direita] (***), que se orgulha da sua origem fula:


(...) Caco Baldé tem origens no meio e língua fulas, é uma alcunha bem conseguida e duplamente interessante.

 Caco, khaco ou haco, originalmente, quer dizer cor castanha (a cor das folhas secas), na língua fula, e servia inicialmente para designar a cor da farda das autoridades administrativas e/ou da tropa colonial.

Mais tarde, para simplificar, este termo seria simplesmente utilizado para designar, de forma disfarçada e caricatural, as autoridades coloniais ou seus representantes.

O apelido Baldé seria lindamente encaixado em acréscimo, certamente, seguindo a lógica da brincadeira muito habitual entre grupos que se consideram primos por afinidade (sanguínea ou territorial), a  “sanencuia”.

Por exemplo, os Djaló são primos dos Baldé por afinidade sanguínea, da mesma forma que o grupo fula, na sua generalidade, é primo do grupo etnolinguístico mandinga que abrange Saracolés, Soninqués, Bambaras etc., por afinidade territorial.

Também é bastante lógico se tivermos em conta que a maior parte dos chefes tradicionais fulas (régulos) e colaboradores das autoridades coloniais, no chão fula, ou pertenciam a esta linhagem ou tinham este apelido, de modo que é uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma caricatura dirigida a linhagem dos Baldé, na minha opinião bem conseguida, por um primo, resultante da brincadeira entre grupos de afinidade, usando a figura da maior autoridade portuguesa, de então, no território da Guiné.

Não tenho a certeza e trata-se de uma conjectura da minha parte como pista para uma pesquisa mais aprofundada. (...)

(Revisão / fixação de texto, títulos: LG)

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27926: Esposas de militares no mato (8): Nem tudo foi "amor e uma cabana": vivi com a minha mulher em Bissau (entre set 71 e jun 72) e depois em Mansabá (entre set 72 e mar 73), até ela ser "corrida" do mato pelo cor pqdt Rafael Durão... O caso de outras foi bem mais dramático: a Romy, mulher do Ramos, ia perdendo o seu bebé de 3 meses numa ataque ao aquartelamento; a Júlia perdeu o marido o Costa, numa emboscada, a 2 km de Cutia, em 10/12/1973

 
José Fernando de Jesus Costa, natural de Pinha, Sabacheira, Tomar; era fur mil at art, CART 3567 (Mansabá, 1972/74)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 8.º volume: mortos em campanha. Tomo II: Guiné: livor 2.  Lisboa: 2001, pãg. 234




António José Pereira da Costa 

Nosso grão-tabanqueiro desde 12/12/2007, coronel art ref, natural da Amadora, vive no concelho de Sintra; conhecido por TZ (Tó Zé, pelos amigos; PK, pelos camaradas da Academia Militar do seu tempo):

 (i) ex-alf art, CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69;

 (ii) ex-cap art, cmdt da Btr AAA 3434, Bissau; 

(iii) cmdr CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo; 

(iv) cmdt CART 3567, Mansabá, 1972/74.

É autor da série e do livro com o mesmo n0me, "A Minha Guerra a Petróleo" (Lisboa, Chiado Books, 2019, 192 pp. ); tem cerca de 210 referências no blogue. Foi diretor da Biblioteca do Exército (até finais de 2011); tem-se dedicado à investigação no domínio da História Militar.

CART 3567
Mansabá (1972/74)

1.  Mensagem enviada, através do Formulário de Contacto do Blogger, pelo nosso camarada António J. Pereira da Costa, cor art ref, 


Data - sábado, 4/04/2026, 19:32


Olá,  Camaradas Tenho reparado que no blog vão aparecendo referências à presença de jovens esposas de militares na guerra (*).Resolvi, por isso dar notícias sobre o tema.

Assim quero dizer que a minha mulher também esteve comigo na Guiné. Inicialmente em Bissau, enquanto comandava a Btr AA 3434.

Eu estava aquartelado no Gr Art.ª n.º 7 que acabou por ser incumbido da defesa da BA 12. Morávamos na Av. Arnaldo Schulz n.º 15 e lá vivemos entre set1971 e jun1972. quando eu fui para o Xime e ela recolheu a casa dos meus sogros.

Obviamente que as coisas correram bem, havendo a registar as "aventuras" do maj Gaspar que já contei noutro local.

Em set72 ela voltou à Guiné e ficámos juntos em Mansabá até mar73. O quartel era bastante cómodo e espaçoso como já sabemos pelas descrições que vão surgindo. Foi assim até o cor Rafael Durão dar por ela e obrigar-me a fazê-la regressar a Lisboa.

Entretanto dois furriéis mandaram vir as respectivas esposas: a Romy (Rosa), esposa do Ramos das M/A e que trabalhava comigo. Tinham um bebé como pouco mais de 3 meses e que ia desaparecendo no dia em que fomos atacados e em que foram queimadas  21 moranças.

Foi um susto grande, mas tudo se resolveu porque um soldado  recolheu o bebé 
e o entregou à mãe.

A esposa do [fur mil at art José Fernando de Jesus]  Costa que vivia numa morança que encontraram,  teve a infelicidade de o perder numa vez em que ambos foram a Bissau e, quando ele regressou a Mansabá,  foi assassinado numa emboscada montada a uma unidade de comandos recém-formada  [ a 2 km de Cutia; morreu no HM 241, Bissau, em 10/12/1973].

Não tenho elementos sobre a sobrevivência, em Bissau, da pobre Júlia [Maria Júlia de Jesus Siulva Costa, de seu nome completo],  mas imagino. Sei que voltou a casar com outro combatente da Guiné, mas nunca mais a revimos.

Vou procurar fotos para completar estes factos.
Cumprimentos, António José Pereira da Costa.

(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)

2. Comentário do editor LG:

No livro da CECA sobre a actividade operacional (1971/74) lê-se:

(...) Acção - 10Dez  [1973] 

Pelas 07h40, na região de Momboncó (próximo de Mansabá), sector 04, numeroso
grupo inimigo emboscou uma subunidade do BCmds que executava
uma missão de escolta a uma coluna-auto no itinerário Mansoa--Mansabá.

As NT sofreram 8 mortos, 8 feridos graves e 20 feridos ligeiros.

Foram destruídas 2 viaturas e 5 ficaram danificadas.

O inimigo sofreu 3 mortos e foi-lhe capturado 1 lgfog "RPG", 1 granada de lgfog "RPG-2" e 1 granada de mão. (...)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6º volume: aspectos da actividade operacional. Tomo II: Guiné: livro 3.  Lisboa: 2015, pág. 347.

Morreram nesta emboscada, na estrada Mansoa - Cutia - Mansabá, de triste memória, para além do fur mil at art José Fernando de Jesus Costa, mais os seguintes militares das NT:

  • António Gonçalves Amaral, 1º cabo, Cart 3567, natural de Cinfães, solteiro;
  • Bacar Sissé, fur grad 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bolama, casado (2 esposas):
  • Carlos Manuel Matos Faustino, sold cond auto, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Queluz, Sintra;
  • José Manuel Neves T0jo, fur serv transp rodo, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Portel;
  • Sabana Fonhá, sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, solteiro;
  • Sori Baldé,  sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, casado.
Todos foram dados como mortos no HM 241, Bissau, em 10/12/1973, segundo o livro da CECA (2001), acima citado.

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Nota do editor LG:

(*) Últrimo poste da série > 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27893: Esposas de militares no mato (7): Teixeira Pinto, ao tempo do Francico Gamelas, ex-alf mil cav, cmd Pel Rec Daimler 3089 (1971/73) - Parte III